3 de janeiro de 2006
A pressão que o crescimento sem precedentes do consumo exerce sobre o ambiente ameaça principalmente o s que menos consomem.“O Relatório do Desenvolvimento Humano de 1998, encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, observa que ‘os países industrializados modernos são os consumidores dominantes, mas a população dos países mais pobres do mundo paga, proporcionalmente, o preço mais elevado – pela poluição e pela degradação das terras, das florestas, dos rios, e dos oceanos que constituem o seu sustento’.‘A esmagadora maioria dos que morrem por efeito da poluição do ar e da água são habitantes pobres de países em desenvolvimento’ registra o Relatório. ‘São também os mais afetados pela desertificação e serão os mais atingidos pelas inundações, as tempestades e as quebras nas colheitas, devido ao aquecimento da atmosfera no nível mundial. Também em todo o mundo os pobres geralmente vivem em nas proximidades das fabricas poluentes, das estradas com maior trânsito e dos locais de despejo de lixo’.A queima de combustíveis fósseis em todo o mundo quase quintuplicou desde 1950; o consumo de água doce quase dobrou desde 1960; a captura de peixe quadruplicou; o consumo de madeira, na indústria nos lares, é agora 40% superior ao de há 25. Os países industrializados, em função de sua renda mais elevada e conseqüente nível de consumo, são responsáveis por mais de metade do aumento da utilização de recursos naturais.O Relatório observa que:· Apesar de o desmatamento se concentra nos países em desenvolvimento, mais de metade da madeira e quase três quartos do papel dela resultante são utilizados nos países industrializados.· A pesca excessiva nos oceanos por frotas industriais esgotaram gravemente as reservas de peixes. Quase um bilhão de habitantes de 40 países em desenvolvimento dependem da pesca como principal fonte de proteínas, mas a captura marinha devastadora e o tratamento de peixes para a produção de óleo e de rações para o gado fizema aumentar o preços e reduziram a disponibilidade de peixe para os pobres.· Um quinto da população mundial, que vive em países de renda mais elevada, contribui em 53% para as emissões de dióxido de carbono que conduzem ao aumento do aquecimento da atmosfera no nível mundial. O quinto da população mais pobre contribui só com 3%, mas vive nas comunidades mais vulneráveis às inundações costeiras. ‘O aumento de um metro do nível do mar, devido ao aquecimento mundial da atmosfera poderia causar a redução de 17% da superfície terrestre de Bangladesh, ainda que este país seja responsável por apenas 0,3% das emissões mundiais’, informa o Relatório. ‘No Egito, 12% de seu espaço territorial – espaço este habitado por sete milhões de pessoas – poderia ficar imerso sob as ondas do mar’. O aumento do nível do mar ameaça também a habilidade de pequenos países insulares, como as Maldivas e o Tuvalo”.
(COELHO, Marcos Amorim. “Geografia Geral: O espaço natural e socioeconômico”, 2001, São Paulo: Moderna, p. 419).


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