23 de setembro de 2014

Mapa interativo com indicadores socioeconômicos e ambientais:

A firma britânica Kiln, fundada pelo jornalista Duncan Clark e pelo matemático, cientista da computação e web designer Robin Houston inova mais uma vez. Eles agora lançaram o The Carbon Map (o "Mapa das Emissões de Carbono"), um mapa interativo atrelado a um farto banco de dados atualizado onde é possível ver diversas anamorfoses geográficas que apresentam, entre outras coisas, área, população, riqueza, extrações, emissão (CO2), consumo, reservas, população e pobreza mundiais.
É incrível!!!
Uma verdadeira ferramenta para professores (ensino) e alunos (estudo).

Mapa gerado no site do The Carbon Map e que mostra a anamorfose cartográfica da pobreza (Poverty)



O presente autor sugere ainda que o caro leitor dê uma olhada no blog de Robin Houston, onde ele escreve frequentemente sobre "enigmas matemáticos".

13 de agosto de 2013

A paisagem e o que não se vê

Certamente, no conceito de paisagem, deveria entrar o "aquilo que não se vê", a "ausência".
Sim!!! Tal como no milenar jogo de estratégia "Go", onde os espaços vazios devem ser considerados com muita atenção e de modo especial, "aquilo que não se vê", a "ausência" e "o que está faltando" em uma paisagem tem um porquê.
É mais ou menos a mesma coisa que dizer que não é porque o olho humano não veja que algo não exista. Temos abundantes exemplos disso: a força da gravidade, o ar e os micróbios.
Deste modo, o que falta em uma paisagem foi arbitrariamente relegado, excluído, destruído ou eclipsado por outros tempos e reconstruções humanas: vestígios da cultura indígena, negra e de povos passados são alguns exemplos disto.
As culturas não cristalizadas no espaço para a posteridade, e que, por isso mesmo, estão a faltar em uma paisagem, aquilo que não é visto pelo olho humano, embora tenha esta característica, existe, ou melhor, existiu, e por isso mesmo, deve ser considerado.
Assim, no conceito de paisagem, pode e deve, muito oportunamente, entrar também aquilo que não está alí.

11 de novembro de 2012

"Habana Vieja" (Havana Velha)


CUBA

 

A Havana que poucos viram

 

Apesar da pobreza, Cuba é modelo em educação, saúde e segurança. Todas as crianças estudam em escolas de tempo integral e 99,8% dos cubanos são alfabetizados.

 

Nos quatro dias em que esteve em Cuba, a missão gaúcha comandada pelo governador Tarso Genro se hospedou no Meliá Havana, um dos melhores hotéis da cidade, visitou órgãos oficiais e circulou pelo chamado “casco histórico”. Conheceu as obras do Porto de Mariel e a Escola de Cinema em San Antonio de Los Baños. Não houve tempo para uma incursão da comitiva pelas ruas mais degradadas de Habana Vieja, pelas quais Zero Hora circulou na terça-feira, depois que Tarso embarcou para Paris.

 

O governador conhece a realidade dessas regiões e várias vezes a mencionou durante sua estada. Tarso, que em janeiro do ano passado esteve em Cuba nas férias, também está bem informado sobre a realidade dos cubanos que vivem em situação extremamente difícil e atribui os problemas ao bloqueio econômico liderado pelos Estados Unidos, que já dura 50 anos.

 

Os prédios degradados pela ação do tempo, do salitre e da falta de manutenção podem ser vistos e fotografados por qualquer turista que visite Habana Vieja. Mas é quando se sai fora do roteiro turístico assinalado nos mapas que se percebe a pobreza em toda a sua extensão. São ruas em que nenhum prédio passou por restauração nos últimos anos, e os moradores se amontoam em verdadeiros cortiços. As sacadas com gradis de ferro, que lembram o estilo das construções parisienses, estão carcomidas pela ferrugem.

 

O deputado Alexandre Postal aproveitou uma brecha na agenda da comitiva para conhecer essa Cuba com a qual os turistas frequentadores das praias de Varadero não têm contato.

 

– Fiquei chocado – resume Postal.

 

Os cortiços contrastam com hotéis de Varadero e mansões do bairro de Miramar, ocupadas por embaixadas e estrangeiros. Em algumas casas, expropriadas à época da revolução, funcionam clínicas médicas. A excelência da medicina é um dos orgulhos dos cubanos, inclusive dos que criticam o regime pela falta de liberdade e dificuldade de acesso a alimentos e bens de consumo durável.

 

Além da saúde, o país também é considerado modelo em educação. Todas as crianças estão na escola em tempo integral, a taxa de alfabetização é de 99,8% e o Ensino Superior é totalmente gratuito para os cubanos. Apesar da pobreza, é um país seguro para os turistas, graças ao forte esquema de repressão aos delitos de qualquer tamanho.

 

Dois mundos em um mesmo país

 

Com a autorização para que prestadores de serviços montem seu próprio negócio – pagando uma taxa ao Estado, naturalmente – está nascendo em Cuba, com autorização do governo, uma classe emergente que subverte os ideais de igualdade da Revolução. À margem do Estado, agindo na clandestinidade, uma classe diferente já existia, formada por prostitutas, vendedores de charutos no mercado negro e achacadores de turistas.

 

A abertura para que diversas atividades possam ser exercidas de forma autônoma foi a forma encontrada pelo governo para conter a insatisfação dos que não se contentam em ganhar o salário mínimo do Estado e, ao mesmo tempo, reduzir o número de dependentes da ração básica fornecida pelo poder público. Quem opta por ser manicure, por exemplo, em vez de trabalhar em uma fábrica de charutos, abre mão da libreta fornecida pelo governo para a aquisição de produtos essenciais.

 

O serviço de táxis é a mais visível dessas atividades “privadas”. O turista pode escolher entre tomar um táxi da estatal que explora o serviço ou de um particular. O carro do serviço oficial é mais novo, tem taxímetro, motoristas uniformizados e, não raro, ar-condicionado. Mas não existem em quantidade suficiente para atender à demanda de turistas que se multiplicam em Havana.

 

Andar em um táxi particular é uma epopeia que exige certa coragem. Alguns são tão antigos que estão, literalmente, caindo aos pedaços. Ladas importados da União Soviética nos anos 70 circulam pelas ruas de Havana transformados em táxis. Nem todos têm cinto de segurança.

 

Há um outro tipo de transporte autorizado pelo Estado para suprir a deficiência causada pela retirada dos velhos “camelos”, ônibus muito pesados que estragavam o pavimento das ruas e eram excessivamente poluidores. Pequenos caminhões foram adaptados para transportar passageiros na carroceria, protegidos por um toldo.

 

Fonte: OLIVEIRA, Rosane de. Cuba: a Havana que poucos viram. Política. Zero Hora. Porto Alegre, 11 nov. 2012, p. 8

 

CUBA

 

Uma mancha na imagem da ilha

 

Pelas leis cubanas, a prostituição é uma atividade proibida. Volta e meia, os policiais fazem batidas em hotéis para retirar as moças que se refestelam na recepção à caça de um turista disposto a pagar por uma relação sexual, por uma noite em seu quarto ou para ter uma “acompanhante” pelo tempo que desejar. A ousadia das roupas e o excesso de maquiagem permitem identificar com facilidade quem são as chamadas “jineteras”, que, apesar da proibição formal, abordam os turistas sem maior dificuldade. No malecón, o calçadão à beira mar, protegido por um muro, o assédio é permanente.

 

Entre os homens que participaram da comitiva do governador Tarso Genro, foram comuns os relatos de assédio por parte das prostitutas. Todos os que contam seu caso garantem ter resistido. Um deles relata a história de um conhecido que pagou 200 CUCs (mais de US$ 200 ou cerca de R$ 407,04) para ter uma cubana em sua cama no próprio hotel. Valor superior ao que ganha em um ano um médico, professor ou engenheiro, embora não se possa fazer uma comparação direta porque os salários são pagos em pesos cubanos, e os preços para os nativos são diferenciados. Se assim não fosse, ninguém teria eletrodomésticos como geladeira.

 

Como o país não tem motéis, a solução encontrada pelas prostitutas foi o uso da própria residência ou de casas particulares para o sexo com hora marcada. Por alguns CUCs, os donos da casa saem para a rua e deixam a cama liberada.

 

No livro Havana, primeiro da série Expedições Urbanas, o jornalista Airton Ortiz conta um caso que ilustra a conivência das famílias com a prostituição. Ortiz relata que foi abordado por uma jovem em uma ruela de Habana Vieja. A moça sugeriu que ficasse com ela e fossem a uma casa particular dessas que alugam quartos. Ante a indecisão do brasileiro, a jovem sugeriu que fossem à casa dela. Interessado em conhecer o interior dos cortiços, Ortiz entrou. Estavam na sala a irmã, um cunhado e um bebê, filho da que se oferecia para ser seu par. A moça o levou para conhecer o lar. A irmã fez a proposta: por 20 CUCs liberavam a casa. O programa custaria outros 20. O jornalista resolveu testar até que ponto as pessoas iriam por uns trocados. Disse aceitar o preço, mas queria ficar com a irmã, a casada. O marido levantou da poltrona, olhou para o estrangeiro, pediu licença e saiu para a rua. Para encurtar a história, Ortiz alegou que não tinha todo o dinheiro, prometeu voltar na manhã seguinte, deu os 20 CUCs como uma espécie de adiantamento e recomendou que comprasse leite para o bebê e um litro de rum para o marido. E foi embora sem fazer o programa, mas com uma ideia das humilhações a que as cubanas se submetem por dinheiro.

 

O deputado Postal, dois assessores e o secretário Maurício Dziedricki foram testemunhas de como funciona o agenciamento de prostitutas e o assédios dos transportadores de turistas em bicicletas adaptadas e nos táxis. Eles passeavam pelo Centro Histórico em um final de tarde quando, depois de recusarem várias ofertas, decidiram contratar duas bicicletas para passear.

 

Pediram para ir à catedral, e o rapaz que pedalava a bicicleta transformada em táxi sugeriu que antes fossem à “casa de las chicas”. Como não quiseram, se ofereceu para levá-los a um fornecedor de charutos. Foi a oportunidade de entrar em ruelas que nenhum deles teria coragem de entrar sozinho. Viram cenas de pobreza por todos os lados.

 

Em outra noite, um grupo queria ouvir música típica cubana em um clube. Na chegada, os homens foram abordados por jovens que se ofereciam para ser acompanhantes. Eram cerca de 20 em frente à casa noturna, procurando companhia.

 

Fonte: OLIVEIRA, Rosane de. Cuba: uma mancha na imagem da ilha. Política. Zero Hora. Porto Alegre, 11 nov. 2012, p. 9.

 

CUBA

 

Como seduzir uma turista

 

Em frente ao Capitólio, um dos prédios mais fotografados de Havana, um casal se aproxima, o homem abre um sorriso e pede:

 

– Me fotografe que hoje é um dia muito especial. Minha mulher está fazendo aniversário e vamos ter um bebê.

 

Bato a foto sabendo que depois ele vai me pedir dinheiro. Não pede. Pergunta de onde sou e, ao ouvir a palavra “brasileira”, pergunta se conheço Compay Segundo, o grande músico. Sim, conheço, respondo.

 

– Então tens que conhecer o bar que Compay Segundo frequentava. Fica perto daqui.

 

Caminho ao lado dos dois tirando fotos e fazendo as contas de quanto vai me custar tanta simpatia. Ele vai mostrando os prédios deteriorados e diz que os turistas só conhecem o lado bonito de Havana. No bar, me apresenta El Capitán, o garçom, e mostra a guitarra, o chapéu e as fotos de Compay na parede. Sentamos. Peço que escrevam os nomes e o endereço em um papel. Ela escreve com caligrafia de professora: Elvira Montesino e Roberto Thomas Cruz.

 

Roberto, que se identifica como professor de educação física, me oferece charutos a preço de barbada. Respondo que não me interessa porque não fumo. Sugere que eu experimente o coquetel preferido de Compay. Digo-lhe que não vou beber álcool às 11h da manhã. Ele não se dá por vencido. Pede que tome o coquetel sem álcool, o mesmo da mulher grávida. Interessada em saber mais sobre a vida em Cuba, concordo em oferecer-lhes os refrescos. Roberto recomenda alguma coisa para comer. Recuso, porque ainda é muito cedo. Peço a conta, e ele me pede uma ajuda para o enxoval do bebê.

 

Quando a conta vem, descubro o preço de tanta gentileza: 56 CUCs (US$ 62,22 ou R$ 126,63). Digo ao Capitán que ele deve ter se enganado, que conheço o sistema de moedas deles e que cinco coquetéis não podem custar o preço de um almoço para três. Roberto se desculpa: El Capitán me cobrou como se fosse um coquetel de bebida alcoolica, mas vai refazer. Volta com a conta reduzida a 20 CUCs. Pago, agradeço a gentileza e digo que estava tão caro que não sobrou para ajudar no enxoval do bebê. Sem culpa, porque sei que El Capitán fará a partilha.

 

Fonte: OLIVEIRA, Rosane de. Cuba: como seduzir uma turista. Política. Zero Hora. Porto Alegre, 11 nov. 2012, p. 9.

13 de abril de 2012

Tensão na Ásia (Coréia do Norte)

Coreia do Norte desafia vizinhos e lança foguete
Unha-3 cai cerca de um minuto após iniciar o voo; EUA, Coreia do Sul e Japão apontam fins belicosos no projeto
Governo sul-coreano confirma fracasso do lançamento; Japão realiza uma reunião de emergência sobre tema

Apesar das críticas e de ameaças de sanção dos Estados Unidos e de outros países, a Coreia do Norte realizou hoje o controvertido lançamento de um foguete. As primeiras informações sugerem que o teste foi um fracasso.
O lançamento do Unha-3 ocorreu às 7h39 de hoje (12 horas na frente do horário de Brasília) a partir de uma nova base no sudoeste do país.
De acordo com o monitoramento feito pelo Japão e pela Coreia do Sul, o foguete se desintegrou em vários pedaços cerca de um minuto depois do lançamento. Os destroços teriam caído em águas norte ou sul-coreanas, a cerca de 165 quilômetros de Seul.
Logo após o lançamento, o governo japonês convocou uma reunião de emergência com a cúpula militar e de inteligência, mas disse que não há motivo para a população do país se sentir ameaçada.
Em nota oficial lida pelo chanceler Kim Sung-hwan, o governo da Coreia do Sul disse que o lançamento foi uma "ameaça provocativa" à paz e que Pyongyang deveria assumir a responsabilidade pela sua repercussão.
Já a Coreia do Norte não emitiu nenhuma declaração nem mostrou o lançamento do foguete pela TV estatal.
A Coreia do Norte anunciou o lançamento no mês passado e afirma que se trata de uma tentativa de colocar um satélite em órbita. Mas os EUA, a Coreia do Sul e o Japão viram na iniciativa um teste disfarçado de míssil a longa distância.
O anúncio do teste, há cerca de um mês, fez com que os EUA congelassem um recente acordo de envio de alimentos em troca da paralisação de testes nucleares e de mísseis de longa distância.
A Coreia do Norte, um dos regimes mais fechados do mundo, vem sofrendo com problemas de desabastecimento alimentar há vários anos. Dezenas de milhares de pessoas estariam sofrendo com desnutrição, principalmente crianças da zona rural.
Desde os anos 1980, ações militares norte-coreanas provocaram várias crises com os Estados Unidos e aliados. Um estudo do "think-tank" americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) mostra que, em média, as relações entre Pyongyang e Washington levam cinco meses para se recuperar.
Já a China, único país aliado de Pyongyang, expressou "preocupação" com o teste, mas não foi além disso. Interessado na estabilidade do regime comunista norte-coreano, Pequim anunciou em dezembro a construção de um complexo portuário e de exportação no país vizinho, projeto orçado em US$ 3 bilhões.
É a quarta vez que a Coreia do Norte lança um foguete desse tipo. Em duas ocasiões, disse ter conseguido enviar satélites para o espaço, mas nenhum outro país disse ter encontrado provas disso.
Além da crise provocada pelo lançamento, um relatório divulgado nesta semana por Seul afirma que a Coreia do Norte estaria preparando a realização de seu terceiro teste nuclear.
A inteligência sul-coreana teria imagens de satélite mostrando que Pyongyang construiu um novo túnel em Punggye-ri, região onde foram realizados testes nucleares.

Sobre o milho transgênico.

Milho transgênico já tem mais ganhos do que soja
Consultoria aponta os benefícios econômicos com sementes modificadas

Os maiores benefícios econômicos do uso de variedades geneticamente modificadas já são obtidos no cultivo de milho, não mais da soja. Atualmente, o milho responde por 49% do total, ante 32% do ano passado, enquanto a soja encolheu de 65% para 47% dos ganhos.

Estudo da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) realizado pela Céleres Consultoria destaca os benefícios econômicos da aplicação de biotecnologia. Para Anderson Galvão, da Céleres, o produtor que planta transgênico tem recebido “benefícios significativos”. Na soja, a cada R$ 1 gasto, o retorno é de R$ 1,59. No milho, é de R$ 2,61 e no algodão, de R$ 3,59.

– Esses números de retorno justificam o crescimento da adoção da biotecnologia – afirma Galvão.

Segundo o pesquisador, enquanto a soja levou 12 a 14 anos para chegar a 80% de inserção no mercado, o milho alcançou o mesmo patamar em quatro safras. Isso tem a ver com o retorno econômico e com o comportamento do produtor.

O Rio Grande do Sul é tradicional líder no uso de soja transgênica. A aposta no milho, porém, ainda encontra resistências. De acordo com Narciso Barison Neto, presidente da Abrasem, há espaço para crescimento, já que a média de produtividade do milho transgênico gaúcho está abaixo dos outros Estados:

– Consumimos mais milho do que produzimos, e temos de importar o grão. Se tivermos políticas públicas que incentivem a produção desse tipo de milho, é possível que o Estado se tornasse um exportador.

A pesquisa estima que, 15 anos depois da introdução da biotecnologia agrícola no Brasil, os benefícios econômicos obtidos pelos produtores rurais usuários e pela indústria detentora da tecnologia alcançam US$ 11,9 bilhões.

O estudo aponta ainda uma redução de impactos ambientais, como economia de 21,2 bilhões de litros de água, menor consumo de óleo diesel e redução na emissão de gás carbônico.
Fonte: Milho transgênico já tem mais ganhos do que soja. Biotecnologia. Campo & Lavoura Zero Hora. Porto Alegre, 12 abr. 2012, p. 24.


Ironia

Há pouco mais de uma década, o Rio Grande do Sul quase viveu uma guerra civil no campo. O Estado se dividiu. De um lado, os defensores das vantagens econômicas da soja transgênica, que começava a ser cultivada clandestinamente com sementes contrabandeadas da Argentina. De outro, ambientalistas e movimentos sociais beligerantes previam uma catástrofe ecológica se a transgenia se espalhasse pelas lavouras gaúchas. O pragmatismo venceu o bate-boca estéril. A soja transgênica foi legalizada pelo governo Lula, passou a ser cultivada até mesmo por assentados em reforma agrária, veio o milho geneticamente modificado e o mundo não acabou. O futuro aponta para a expansão do cultivo de grãos transgênicos. Não apenas pelo retorno econômico maior que proporciona aos agricultores, mas, ironicamente, pela redução dos impactos ambientais.

 
Fonte: FILHO, Irineu Guarnier. Ironia. Olhar do Campo. Campo & Lavoura. Zero Hora. Porto Alegre, 12 abr. 2012, p. 24.

Como se "cria" um municpicio?

A "criação" de um município se dá quase sempre com a emancipação de uma área que passa, então, a ser autônoma. Isso, no Brasil, segue alguns parâmetros. A respeito disso, é interessante a leitura do artigo abaixo:


Emancipações que deixam dúvidas..., por Carlos José Perizzolo*

A Assembleia Legislativa do Estado editou a Lei nº 9.089/90, dispondo sobre a criação de municípios e estabelecendo que nenhum município seria criado sem a verificação da existência, na área emancipanda, de população não inferior a 5 mil habitantes ou eleitorado não inferior a 1,8 mil eleitores, mínimo de 150 prédios em núcleo urbano já constituído ou 250 em toda a área [grifo nosso]. Esta elástica legislação desencadeou um sem-número de processos emancipatórios que, na época, a mídia chegou a denominar de a “farra das emancipações”.

Com legislação tão abrangente, não houve localidade que não se enquadrasse nos critérios exigidos e, consequentemente, uma infinidade de distritos passou à condição de município, compartilhando com os demais a receita total destinada aos mesmos. Tendo o montante sido dividido proporcionalmente, de acordo com índices preestabelecidos, não resta dúvida de que os novos municípios ganharam, uma vez que a população ora atendida era menor. Por essa razão, não é possível que se justifique a não extinção de um município em função de o mesmo estar entre os que possuem maior distribuição de renda. Com o número de habitantes que não chega à metade dos demais municípios, é lógico que o PIB estará entre os maiores do país.

Um aspecto a ser questionado é como a maioria dos novos municípios conseguiu ter seus processos de emancipação aprovados pela Assembleia, considerando que, passados pouco mais de 10 anos da obtenção da autonomia, a maioria regrediu no que diz respeito às exigências legais, quando, na verdade, o esperado seria que tivessem se desenvolvido.

Segundo dados do IBGE, no que diz respeito à relação população/eleitores, é possível verificar a existência de aproximadamente 30 municípios que possuem hoje menos de 1,8 mil eleitores e população que, em média, não passa de 2 mil habitantes. Alguns exemplos são os municípios de André da Rocha, que no último censo detinha 1.216 habitantes e conta hoje com 1.372 eleitores, União da Serra, com 1.487 habitantes e 1.581 eleitores, entre outros. Tendo em vista tais irregularidades, faz-se necessária, por parte do Ministério Público, uma análise criteriosa de todos os processos de emancipação a partir de 1996, a fim de explicar à sociedade como, em tão pouco tempo, a contar da data de suas emancipações, esses municípios apresentam tamanha regressão no que se refere ao número de habitantes/eleitores.

A nova lei das emancipações, cujo projeto, de nº 98/2002, tramita no Senado Federal, deveria prever avaliação decenal do novo ente público e, no caso de regressão dos índices exigidos, determinar o retorno do município à condição de distrito.

Por fim, cabe registrar que países europeus extinguem centenas de municípios, buscando o equilíbrio das contas públicas, com o objetivo maior de melhor atender às necessidades de seus habitantes.

*Advogado e professor

Fonte: PERIZZOLO, Carlos José. Emancipações que deixam dúvidas... Artigos. Zero Hora. Porto Alegre, 12 abr. 2012, p. 21.

Para ler a Lei federal, clicar ::::aqui::::  

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24 de fevereiro de 2012

Como anda a produção de arroz no RS?!

Competitividade dentro e fora da porteira
Recorde de exportação em 2011, com vendas de 1,7 milhão de toneladas. Incentivos do governo federal de R$ 1,1 bilhão. Oportunidade de escoamento dos estoques devido à queda na produtividade de 2012, em razão da seca. Esses são fatores que tornam favorável o cenário de comercialização do arroz e mantêm o preço da saca estável. Com o mercado regulado, o desafio é ampliar as vendas externas e driblar as questões tributárias – apontadas pelo setor como principal entrave para a competitividade.

Com produção superior ao consumo e concorrência de grão vindo de outros países, o Brasil acumula uma superoferta, que faz o preço interno cair. Mesmo assim, o valor não é suficiente para impedir a entrada do produto da Argentina, do Paraguai e do Uruguai. Segundo o economista da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) Antônio da Luz, é mais barato para os outros Estados brasileiros comprar desses países do que do Rio Grande do Sul. O custo de produção dos estrangeiros é menor devido a uma carga de impostos nos insumos mais leve.

– Dentro da porteira, a produtividade é alta. Fora, não somos competitivos. Precisamos que o sistema tributário acompanhe a evolução da economia brasileira – afirma Da Luz.

Para o economista, um primeiro passo para reverter esse quadro seria a diminuição de impostos. O outro – mais complexo – seria a reforma tributária. O deputado estadual Jorge Pozzobom, presidente da CPI do Arroz , instalada no ano passado, concorda. A redução necessária dos tributos é de 32% no entendimento do parlamentar, que estima em R$ 463 milhões o repasse ao governo em impostos.

Com o forte das exportações direcionado para África do Sul, Cuba e Venezuela, os arrozeiros querem manter e ampliar esses mercados. A promoção do grão no Exterior é uma das bandeiras do Irga neste ano. A entidade estuda estratégias com a Associação Brasileira das Empresas de Arroz Parbolizado (Abiap) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para estreitar as relações comerciais com Angola, Senegal, Arábia Saudita, Iraque, Peru, Moçambique e Cuba.

– A África é o nosso foco por causa da posição geográfica. Acreditamos que com a melhoria do padrão de vida no continente, a tendência é aumentar o consumo de arroz. Com a qualidade que temos, é fundamental manter essa posição – ressalta o presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Claudio Pereira.

Uma forte tendência é a venda de arroz orgânico, sobretudo nos mercados europeus.

– É preciso caminhar para uma lavoura de futuro com sustentabilidade, preços bons e estabilidade econômica – finaliza.

O aumento do consumo interno também ajuda: uma colher de 25 gramas de arroz a mais por dia é o suficiente para dar conta do excedente de 2,5 milhões de toneladas. Por isso, a Federação das Associações de Arrozeiros do Estado prepara uma campanha publicitária.


Fonte: Zero Hora. Porto Alegre, 24 fev. 2012. Campo & Lavoura, p. 03

23 de fevereiro de 2012

O termo "migração" serve para humanos e gnus?!

Migração é termo usado somente pela Geografia?! Sim ou não?! Por quê?!
A resposta é não. A Biologia, e.g., também se utiliza deste termo para classificar o movimento, no espaço geográfico, de animais não humanos a até, pasmem, da: flora.
Relativamente a isso, é interessante observar a charge de Elias:
Fonte: ELIAS. Zero Hora. Porto Alegre, 16 fev. 2012. Artigos, p. 13.

A interessante charge, publicada no maior jornal da Capital Gaúcha, está brincando com a volta do feriado de Carnaval, que, todo ano, provoca uma verdadeira “manada” de automóveis em direção a Porto Alegre.
Pode-se dizer, também, que a charge brinca com a migração temporária que faz todo e qualquer veranista que se movimenta no espaço geográfico em direção às praias, mas que faz isso com o objetivo de voltar à cidade de origem.
Pode-se dizer ainda que, a migração que faz um veranista é:
- quanto ao sentido do movimento no espaço geográfico: “de saída” (assumindo-se como o ponto de referência a Capital, município mais importante): é portanto uma emigração ;
Obs.: se assumirmos, como ponto de referência, por exemplo, o município de Tramandaí, será uma imigração, pois, do ponto de vista dos moradores de Tramandaí, os veranistas que ali chegam, são migrantes que estão entrando em sua cidade.
- quanto à duração: “temporária”;
- quanto ao tipo de “migração temporária”: é sazonal, visto que está associada à estação do ano, no caso o verão;
e
- quanto à motivação que levou à migração: é “voluntária”, uma vez que, na maioria das vezes, o veranista faz isso por livre e espontânea vontade.
E então, caro estudante, o termo "migração" serve para humanos e gnus?! 
Espero que este breve post tenha lhe ajudado, e que ele esteja em sua mente quando de uma prova ao estilo "pega ratão", como a do Vestibular, por exemplo...
Assim, muita atenção a qualquer questão que possa tentar confundi-lo!!!

16 de fevereiro de 2012

A usina chinesa de Três Gargantas é maior do que Itaipu?

A usina chinesa de Três Gargantas é maior do que a Itaipu?

Não. Itaipu é a maior usina geradora de energia do planeta. A hidrelétrica brasileiro-paraguaia alcançou seu recorde operativo em 2008, com 94,6 milhões de megawatts-hora produzidos ao longo de todo o ano. A segunda colocada é a usina chinesa de Três Gargantas, com 84,3 milhões de MWh, em 2010. Em terceiro está Guri, na Venezuela, com 53,4 milhões MWh, em 2008. Confira abaixo um comparativo entre os maiores recordes operativos da história:

Usina
País
Recorde de produção
(mi de MWh)
Ano do recorde
Média dos últimos 3 anos
(mi de MWh)
Itaipu
Brasil-Paraguai
94,68
2008
93,60
Três Gargantas
China
84,37
2010
81,55
Guri
Venezuela
53,41
2008
51,58
Tucurui
Brasil
41,43
2009
39,26


Fontes: Aneel, Edelca e Three Gorges Dam. Disponível em "Perguntas Frequentes" de Itaipu binacional. Acesso em: 16 fev. 2012.

Sobre a Sadia, a Perdigão e a China...

Efeito Cade no avanço externo

Como a decisão do Cade que aprovou a fusão Sadia/Perdigão limitou o potencial de crescimento da empresa no país, a BRF Foods reforça sua estratégia de internacionalização.

Aberto em 2009 para as exportações brasileiras de aves e no ano passado para suínos, o alvo é o mercado chinês, um dos mais promissores para o consumo de carnes.

A multinacional verde-amarela vai operar na China, onde pretende desenvolver a marca Sadia. Para isso, acertou parceria com uma empresa local, a Dah Chong Hong.

Na joint venture, cada companhia terá 50% de participação e gestão compartilhada.

As vendas devem atingir pelo menos 140 mil toneladas de alimentos no primeiro ano de operação. A receita foi estimada em US$ 450 milhões.

*

A propósito do principal parceiro comercial do Brasil, o Ministério do Turismo divulgou alguns conselhos sobre como receber bem os chineses

Cumprimentos: evite contatos físicos. A cultura chinesa trata com reverência os mais velhos, portanto, sempre comece por saudá-los.

Tratamento: os sobrenomes chineses vêm à frente do nome, pois o da família é mais importante. E sempre entregue documentos com a mão direita. A esquerda é impura.

Negociações: não tenha pressa. Para o chinês, ‘tempo é tempo’, pois a paciência é importante valor.

Importante: não confunda chinês com japonês. Eles se orgulham de pertencer a uma das civilizações mais antigas do mundo.

A China é hoje o terceiro país do mundo que mais gasta com o turismo no Exterior:


U$$ 55 bilhões. A China é hoje o terceiro país do mundo que mais gasta com o turismo no Exterior: Em 2010, o Brasil foi visitado por 38 mil chineses, 10 mil a mais do que em 2009.

Fonte: HAMMES, Maria Isabel. Efeito Cade no avanço externo. Zero Hora. Porto Alegre, 16 fev. 2012. Informe Econômico, p. 22.

20 de janeiro de 2010

Rio Grande do Sul e telefones celulares por habitantes...

Segundo o Censo Demográfico do IBGE (2000), o Rio Grande do Sul conta com uma população de 10.187.798 hab. Dia 19 de janeiro de 2010, a Anatel (Agência Nacional de Comunicações) publicou informação de que nosso Estado já conta com um aparelho de celular para cada habitante. Não nos enganemos, no entanto. Sabemos que média é sempre média. Certamente há pessoas que não possuem tal aparelho, e, é claro, há aquelas que possuem mais de um, como é o caso noticiado abaixo:
Sete chips, três celulares e apenas R$ 38 por mês
A representante comercial Michele Refatti, 31 anos, usa nada menos do que sete chips em três aparelhos celulares. Para receber ligações, mantém o número da Claro que tem há mais de 10 anos, por ser o mais conhecido dos amigos. Quando precisa tratar de negócios e ligar para números fixos em outros Estados, usa dois chips da Oi. Para se comunicar com os pais que vivem no Pará e o irmão em Santa Catarina, saca outro da TIM. Michele utiliza ainda outros dois chips da Oi e um da TIM em Santa Catarina, para onde viaja frequentemente a trabalho ou para pegar uma praia.
– Pago R$ 38 por mês – conta Michele, que usa plano pré-pago.
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 20 jan. 2010, p. 20. Disponível em: <ZeroHora.com>. Acesso em: 20 jan. 2010.

Mesmo assim, o Rio Grande do Sul agora passa a ser, junto com São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Brasília, uma das Unidades da Federação que conta com a média de 1 cel./ hab.. Veja reportagem abaixo:

Estado atinge a proporção de um celular por habitante
Levantamento da Anatel aponta que há 173,9 milhões de telefones móveis em operação no país
O Rio Grande do Sul tornou-se o quinto Estado a superar a barreira de um celular por habitante. São 10,98 milhões de acessos móveis. Os dados, divulgados ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), referem-se ao fechamento do ano passado. São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul superaram a marca em julho de 2009, e o Distrito Federal, em maio de 2005.
Com os principais centros urbanos atendidos, o aumento do mercado está ocorrendo em regiões menos povoadas. A maior expansão em 2009 foi registrada em Tocantins (28%), seguida por Amapá e Maranhão.
Em 2009, houve redução do ritmo de crescimento do mercado de telefonia móvel. O Brasil teve 23,3 milhões de novos acessos, crescimento de 15,4% na comparação com 2008.
Em proporção, com 173,96 milhões de acessos no país, em cada grupo de 10 pessoas, nove têm celular no Brasil. Apenas em dezembro, houve o incremento de 4,2 milhões – o melhor mês do ano. Entre o padrão utilizado nos aparelhos, a tecnologia GSM continua preponderante, com 90% do mercado.

Mercado da banda larga móvel triplicou
Em contraste com o avanço do mercado de telefonia móvel, o mercado de linhas fixas está encolhendo. Na Oi, a maior operadora do país, havia 21,4 milhões de linhas fixas em serviço ao final de setembro de 2009 (último dado disponível), ante 22,1 milhões em igual período de 2008 – queda de 3%.
As operadoras fixas têm compensado, parcialmente, a perda de clientes no serviço de voz com o aumento dos usuários de banda larga. O mercado de banda larga pela telefonia celular triplicou em 2009, segundo a Anatel. Os celulares de terceira geração (3G) e os modems de acesso à internet já são 8,66 milhões em todo o país.
Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 20 jan. 2010, p. 20. Disponível em: <ZeroHora.com>. Acesso em: 20 jan. 2010.

13 de janeiro de 2010

Brasil diminui pobreza, mas caminho ainda é longo...

Pobreza diminui, mas desigualdade persiste

Brasil poderia chegar aos níveis de países desenvolvidos até 2016, diz IpeaO Brasil conseguiu diminuir de forma significativa o número de famílias que vivem em extrema pobreza, mas ainda falha em combater a desigualdade de renda com a mesma agilidade. As conclusões são de um estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para o órgão, o Brasil tem condições de atingir índices de pobreza e desigualdade similares aos de países desenvolvidos até 2016, caso consiga superar determinados desafios (veja quadro ao lado).

Entre 2003 e 2008, a queda nas taxas de pobreza absoluta (pessoas que ganham até meio salário mínimo) e de pobreza extrema (até um quarto de salário mínimo) caíram, em média, 3,1% e 2,1% ao ano. No entanto, a desigualdade de renda recuou em média apenas 0,7% ao ano no mesmo período.

Desde o início do estudo, em 1995, a taxa de pobreza cai mais rapidamente do que a de desigualdade. “O combate à pobreza parece ser menos complexo”, diz o relatório do Ipea.

Conforme Marcio Pochmann, presidente do instituto, o Brasil persegue índices comparáveis aos de nações ricas, que resolveram esse problema na primeira metade do século passado.

Qualidade precária do gasto público representa entrave

Se o país quiser de fato reduzir ainda mais os índices de pobreza, o Ipea avalia ser necessária a manutenção da taxa de crescimento elevada, com inflação baixa. Além disso, o avanço precisa estar atrelado à produção de bens e serviços de maior valor agregado e de elevado conteúdo tecnológico, o que implica em reforço na educação.

A questão da redução da desigualdade social é mais complexa. Famílias de menor renda pagam proporcionalmente mais impostos e, assim, contribuem mais para a arrecadação dos recursos que sustentam as políticas públicas.

Outro obstáculo é a precária qualidade do gasto público. “Apesar dos avanços alcançados na integração e articulação de políticas públicas em torno de programas como o Bolsa-Família, há fragmentação, dispersão e sobreposição de políticas públicas”, afirma o relatório.

Na avaliação do coordenador do Centro de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, Marcelo Neri, zerar a miséria extrema até 2016 não é um cenário factível.

– Nem mesmo é uma meta desejável, pois é muito ambiciosa, levando sempre a frustrações – afirma.

Conforme Neri, sempre há um núcleo duro de pobreza onde nem o mercado, nem o Estado conseguem chegar.



Obs.: Na edição impressa, além dos números "1" (um) e "2" (dois), a imagem acima conta com um número "3" (três), que diz:"Melhorar a qualidade do gasto público com programas sociais."
Fonte: POBREZA DIMINUI, MAS DESIGUALDADE PERSISTE. Zero Hora. Porto Alegre, 13 jan. 2010. Economia, p. 20. Disponível em: <ZeroHora.com>. Acesso em: 10 jul. 2009.

Moradores de rua...

Neste interessante artigo, o presidente da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Fernando Lejderman, nos (re)lembra de que um dos fatores (o endógeno) que leva uma pessoa a deixar a família e ir morar na rua é a doença mental. Para a Geografia, interessantes são os dados relativos a Porto Alegre:



Que mundo é este?,

por Fernando Lejderman *

A doença mental de Nathaniel Ayers, no filme O Solista, ilustra a difícil realidade dos moradores de rua de Los Angeles, EUA; também correspondente à das grandes cidades brasileiras. O filme se baseia na história de um jornalista que, ao procurar uma matéria interessante, encontra um músico morador de rua. Com o passar do tempo, o jornalista realiza inúmeras tentativas para recuperar o potencial artístico e a sanidade mental desse personagem, que um dia fora um artista de extremo talento.
Muitos moradores de rua são pessoas desgarradas da família devido à gravidade da doença mental que os aflige e/ou pelo uso simultâneo de álcool e drogas, sobretudo as mais baratas, como o crack. O número desses moradores de rua vem aumentando desde 1990, após a mudança da legislação em relação às hospitalizações psiquiátricas, que, a partir de então, exige a vontade manifesta e a anuência dos doentes para serem hospitalizados. Estima-se que o número de moradores de rua de Porto Alegre esteja ao redor de 1,4 mil; em São Paulo, é cerca de 14 mil pessoas [grifo nosso].
Presumir que uma pessoa delirante, com o pensamento fragmentado, desconectada do senso de realidade comum, que se imagina poderosa como um Deus ou um ser extraterrestre, manifeste a sua vontade ou assine um termo de responsabilidade aceitando a necessidade de tratamento especializado é algo incompreensível, desprovido de conhecimento, em relação à lógica dos processos mentais. No entanto, é exatamente isso que vem acontecendo no dia a dia da assistência aos doentes mentais graves desamparados, no que se refere a suas doenças de base, que deterioram o estado psicológico, aumentam o contágio de doenças infecciosas, como hepatite C, tuberculose e aids, levando a completa decadência física e mental.
Além das ruas, também as prisões se tornaram um lar alternativo para uma parcela dessa população de doentes que, por fim, acaba cometendo pequenos delitos ou quadros de agressividade e agitação psicomotora. Recentemente, o jornalista Nilson Souza publicou uma crônica em Zero Hora que conta justamente a história de um doente mental que permaneceu durante vários meses numa prisão em Caxias do Sul, cujo apelido, certamente não por acaso, era Quase Nada. Que mundo é este em que doentes mentais ficam nas ruas e nas prisões?
No Rio Grande do Sul, a Lei Estadual nº 9.716, aprovada em 1992, proíbe a construção de novos hospitais psiquiátricos públicos, bem como o aumento de vagas nos já existentes. No Artigo 15 da lei, ficou estabelecido que a reforma psiquiátrica seria reavaliada quanto aos seus rumos e ritmo de implantação no prazo de cinco anos. Já se passaram 17 anos e, de lá para cá, a população de doentes mentais nas ruas cresce ininterruptamente. Está mais do que na hora de se rever esta legislação.
* Presidente da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Fonte: LEJDERMAN, Fernando. Que mundo é este?. Zero Hora. Porto Alegre, 13 jan. 2010. Artigos, p. 16. Fonte: Disponível em: <ZeroHora.com>. Acesso em: 13 jan. 2010.

Haiti, o país mais pobre da(s) América(s):

Impressionante depoimento que tenta passar para nós, brasileiros, a verdadeira realidade do Haiti!

Por Rodrigo Lopes (rodrigo.lopes@zerohora.com.br)
Miséria assustadora
Uma das primeiras lições que se aprendem quando se aterrissa em Porto Príncipe é que o cenário na capital haitiana é o contrário do que estamos acostumados a ver nas favelas do Brasil: lá, os poucos ricos moram no alto das montanhas e os pobres na parte plana. Enviado por ZH em 2005, no auge da crise haitiana após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide, busquei uma analogia que aproximasse mais o cenário dos leitores gaúchos: Porto Príncipe é como uma grande Vila Cruzeiro, um dos maiores complexos da capital gaúcha, só que do tamanho de uma cidade. No Haiti, não há saneamento básico e 80% da população vive com menos de US$ 1.
Os números frios, porém, só são traduzidos com perfeição no momento em que se pisa no barro. Barro, aliás, que está na maior parte das construções da cidade e até na comida dos haitianos. Uma das visões mais chocantes é uma espécie de bolacha, feita de terra, assada no forno e vendida na Cozinha do Inferno, um mercado a céu aberto onde porcos, lixo e comida se misturam, tornando um vencedor de estômago forte quem consegue cruzar seus mais de 300 metros sem vomitar.
O Haiti tornou-se um país familiar dos gaúchos, tanto que em 2007, quando voltei ao país do Caribe, uma das imagens mais impressionantes era do fascínio entre as crianças causado pelos homens vestindo a farda verde-oliva e trazendo no braço a insígnia Força Pampa. No outrora violento subúrbio de Cité Soleil, fomos acompanhar uma patrulha. Logo, os militares foram cercados por dezenas de crianças. De repente, uma delas caiu no chão. Havia sangue no rosto. Em outros tempos, o episódio seria suficiente para deflagrar a revolta e, em minutos, a situação fugir do controle. Sabedor da máxima de que no Haiti tudo pode mudar de uma hora para a outra, o soldado Nack, de Porto Alegre, tomou o menino nos braços e iniciou uma marcha. Ao seu redor, uma turba infantil o acompanhava. Nack levou o menino a pé até o posto de saúde do bairro, sob aplausos dos haitianos – e a emoção dos repórteres. Como gaúcho, não consegui esconder as lágrimas. O país tinha – e tem – tudo para dar errado. Já deu. Mas, sem os brasileiros – e as Nações Unidas –, lá, seria muito pior.
Fonte: LOPES, Rodrigo. Miséria assustadora. Zero Hora. Porto Alegre, 13 jan. 2010. Reportagem Especial, p. 5. Disponível em: ZeroHora.com. Acesso em: 10 jul. 2009.

2 de maio de 2006

Brasil cumpre meta contra subnutrição infantil, diz Unicef

Nessa notícia retirada do site da BBC – Brasil –, o que está em negrito é o que consideramos mais importante.


Chamamos a atenção para algumas frases que parecem um tanto tendenciosas, tais como: “o quarto mais desigual na América Latina no quesito, ficando atrás apenas de Paraguai, Nicarágua e Bolívia.”. Perece-nos que a palavra “apenas” está um tanto quanto fora do contexto da notícia e leva o leitor a achar que isso é bom já que “apenas” alguns poucos países são melhores que o Brasil. Isso seria bom, realmente, se esses países não fossem: Paraguai, Nicarágua e Bolívia!!!

A notícia, porém, é transcrita na íntegra porque o vestibular vem aí e o aluno precisa estar informado...

Boa leitura!

Um relatório divulgado nesta terça-feira pela Unicef (o fundo da ONU para infância e a adolescência) afirma que o Brasil "vem cumprindo a meta de reduzir a subnutrição infantil em 50% até 2015".

O texto, intitulado Progresso para as Crianças - Um Relatório sobre Nutrição, acrescenta que o índice de crianças subnutridas no Brasil é de 6%, o que é "um índice relativamente baixo".
O documento da ONU cita as chamadas metas de desenvolvimento do milênio, firmadas pela comunidade internacional, que se comprometeu a tentar reduzir o número mundial de crianças subnutridas com menos de 5 anos em 50%, entre 1990 e 2015.
Mas o estudo afirma também que as crianças pobres no Brasil são 3,6 vezes mais propensas a sofrer de subnutrição do que crianças ricas, o que faz do país o quarto mais desigual na América Latina no quesito, ficando atrás apenas de Paraguai, Nicarágua e Bolívia.
O relatório adverte, ainda, que apesar de contar com índices positivos, "o Brasil não realiza uma pesquisa nacional sobre subnutrição infantil desde 1996".
Contrastes
O estudo afirma que a América Latina e o Caribe e os países do leste asiático e do Pacífico são as regiões que mais vêm cumprindo as metas de redução da subnutrição infantil.
O relatório mostra que 73% das cerca de 146 milhões de crianças com menos de cinco anos subnutridas do mundo em desenvolvimento vivem em apenas 10 países.
A lista é encabeçada pela Índia (57 milhões), seguida por Bangladesh (8 milhões), Paquistão (8 milhões), China (7 milhões), Nigéria (6 milhões), Etiópia (6 milhões), Indonésia (6 milhões), República Democrática do Congo (3 milhões), Filipinas (3 milhões) e Vietnã (2 milhões).
Segundo o relatório, os indicadores dos maiores países do Oriente Médio e do norte da África ajudaram a derrubar o índice regional, uma vez que o Iraque, o Sudão e o Iêmen estão sofrendo aumentos nos seus números de subnutrição infantil.
A Unicef afirma ainda que o índice de subnutrição infantil "caiu pouco desde 1990, o que prova que o mundo está em falta com as crianças".


(FONTE: Dsiponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/05/060502_relatoriounicef2bg.shtml. Acesso em: 02 maio 2006.).

17 de março de 2006

Economia: Itália não cresceu!

Economia da Itália está estagnada

Assimina Vlahoude Roma

O crescimento do PIB da Itália ficou em 0%, de acordo com
dados do Instituto Italiano de Estatísticas (Istat) para 2005, compondo um
conjunto de índices que estão entre os piores da O ministro da Economia,

Desapareceram 102 mil postos de trabalho e o déficit público ficou em 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Estes números completam um quadro de quatro anos de estagnação, o período com a dinâmica mais baixa desde o pós-guerra”, lamentou o jornal econômico Il Sole 24 Ore, órgão da Confederação das Indústrias do país.

O ministro da Economia, Giulio Tremonti, mostrou-se otimista. Ele considerou positivo que o déficit tenha sido menor do que a previsão de 4,3% do PIB.

Na opinião dos sindicatos, porém, esses indicadores provam que o governo de Silvio Berlusconi, eleito em 2001, falhou em seus objetivos.

Diversas fontes de análise econômica concordam que nos últimos cinco anos a Itália registrou o menor crescimento entre os grandes países europeus.

A taxa de produtividade tem sido muito baixa e as exportações caíram.

O governo de Berlusconi está sendo criticado por não ter feito reformas importantes para promover a concorrência, como liberalizar os mercados, diminuir os impostos e privatizar.

“A economia italiana parou”, confirmou Luigi Spaventa, professor de economia da Universidade de Roma, em entrevista à BBC Brasil.

Uma das causas, segundo ele, seria a baixa competitividade do país diante do novo cenário internacional, onde os asiáticos fazem os mesmos produtos, às vezes de qualidade até melhor, por um preço mais baixo.

“O vício da economia italiana é que há pouquíssimas grandes empresas e uma enorme quantidade de pequenas empresas”, disse Spaventa.

O micro sistema integrado dos distritos industriais – rede produtiva especializada em setores como azulejos, móveis, sapatos ou têxteis – é um modelo copiado e estudado em todo o mundo.

Hoje deve ser revisto, segundo o economista.

“Os distritos não estão indo bem. Nos últimos meses está havendo uma reorganização para melhorar a competição”, avaliou.


Giulio Tremonti, mantém o otimismoEuropa.




(FONTE: Disponível em:
<http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/03/060310_eleicoesitalia.shtml>.
Acesso em: 17 mar. 2006.).