Irã retoma pesquisas nucleares
Irã retoma pesquisas nucleares
Atitude foi encarada como um desafio aos apelos internacionais, e o país pode sofrer sanções da ONU
Teerã
Em uma atitude que causou indignação nos países da União Européia (UE) e Estados Unidos, o Irã rompeu os lacres da instalação nuclear de Natanz diante de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Os países ocidentais ameaçaram, mais uma vez, levar o caso ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o que pode resultar em sanções. Em novembro de 2003, o Irã firmou acordo com a UE para suspender toda a atividade relacionada com o enriquecimento de urânio, que teve por base a conclusão da AIEA de que o país não conduzia de modo transparente seu programa nuclear. O Irã sustenta que seu objetivo é a produção de energia elétrica, para tornar-se menos dependente de gás e petróleo, mas EUA, Israel e UE acusam o país de planejar a fabricação de armas nucleares. O que preocupa a comunidade internacional é a possibilidade de as pesquisas iranianas incluírem experiências para enriquecimento de urânio - combustível das usinas de energia elétrica, mas também um componente das armas atômicas. Ao anunciar a decisão, o vice-presidente da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Saeedi, negou a retomada da produção de combustível nuclear: - Há um diferença entre pesquisa e produção de combustível nuclear. A produção do combustível ainda está suspensa. Já o diretor da AIEA, o egípcio Mohammed El-Baradei, informou o conselho da agência que o Irã pretende realizar o enriquecimento de urânio em pequena escala nas instalações de Natanz. O governo americano advertiu que o enriquecimento de urânio será considerado "uma escalada séria" e que o Irã corre o risco de ser levado ao Conselho de Segurança se continuar nesse caminho. Ministros da França, Grã-Bretanha e Alemanha se reunirão amanhã em Berlim para decidir que medidas tomar em relação ao Irã. Até a Rússia, potência que apoiava Teerã, lamentou a decisão do governo iraniano.

Foto(s): Vahid Salemi, Banco de Dados, AP/ZH - 30/03/2005


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