Brasil diminui pobreza, mas caminho ainda é longo...
Brasil poderia chegar aos níveis de países desenvolvidos até 2016, diz IpeaO Brasil conseguiu diminuir de forma significativa o número de famílias que vivem em extrema pobreza, mas ainda falha em combater a desigualdade de renda com a mesma agilidade. As conclusões são de um estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Para o órgão, o Brasil tem condições de atingir índices de pobreza e desigualdade similares aos de países desenvolvidos até 2016, caso consiga superar determinados desafios (veja quadro ao lado).
Entre 2003 e 2008, a queda nas taxas de pobreza absoluta (pessoas que ganham até meio salário mínimo) e de pobreza extrema (até um quarto de salário mínimo) caíram, em média, 3,1% e 2,1% ao ano. No entanto, a desigualdade de renda recuou em média apenas 0,7% ao ano no mesmo período.
Desde o início do estudo, em 1995, a taxa de pobreza cai mais rapidamente do que a de desigualdade. “O combate à pobreza parece ser menos complexo”, diz o relatório do Ipea.
Conforme Marcio Pochmann, presidente do instituto, o Brasil persegue índices comparáveis aos de nações ricas, que resolveram esse problema na primeira metade do século passado.
Qualidade precária do gasto público representa entrave
Se o país quiser de fato reduzir ainda mais os índices de pobreza, o Ipea avalia ser necessária a manutenção da taxa de crescimento elevada, com inflação baixa. Além disso, o avanço precisa estar atrelado à produção de bens e serviços de maior valor agregado e de elevado conteúdo tecnológico, o que implica em reforço na educação.
A questão da redução da desigualdade social é mais complexa. Famílias de menor renda pagam proporcionalmente mais impostos e, assim, contribuem mais para a arrecadação dos recursos que sustentam as políticas públicas.
Outro obstáculo é a precária qualidade do gasto público. “Apesar dos avanços alcançados na integração e articulação de políticas públicas em torno de programas como o Bolsa-Família, há fragmentação, dispersão e sobreposição de políticas públicas”, afirma o relatório.
Na avaliação do coordenador do Centro de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, Marcelo Neri, zerar a miséria extrema até 2016 não é um cenário factível.
– Nem mesmo é uma meta desejável, pois é muito ambiciosa, levando sempre a frustrações – afirma.
Conforme Neri, sempre há um núcleo duro de pobreza onde nem o mercado, nem o Estado conseguem chegar.
Obs.: Na edição impressa, além dos números "1" (um) e "2" (dois), a imagem acima conta com um número "3" (três), que diz:"Melhorar a qualidade do gasto público com programas sociais."



0 Comments:
Postar um comentário
<< Home