5 de março de 2006

Representante da "Teoria Determinista".


Muitos são os representantes de um pensamento geográfico já bastante "batido": O "Determinismo Geográfico". Pode não ser perceptivo, mas mesmo os mais estudados, às vezes, caem em pré-conceitos que têm sua raiz no "Determinismo Geográfico". Frases como "o calor não permite que trabalhemos bem" é uma dessas manifestações, e, frequentemente são utilizadas sem que se perceba... Um dos mais ilustres representantes dessa corrente do pensar é o professor David S. Landes. Leia sobre ele:
David Landes
David Landes nasceu em 1924 em Nova Iorque. É um dos historiadores económicos mais credenciados da actualidade.
Doutorou-se em 1953 pela Universidade de Harvard, onde se tornou professor em 1964. Ensinou em Harvard até se reformar, sendo hoje professor "emeritus" de economia da Universidade de Harvard (Coolidge Professor of History and Professor of Economics).
David Landes subscreve as teses de Max Weber quanto ao papel da Reforma Protestante e em particular do calvinismo no surgimento do capitalismo e mostra factos empíricos e argumentos teóricos que as sustentam. Em "Prosperidade e pobreza das nações" ele escreve:
"Na verdade, é justo afirmar que a maioria dos historiadores hoje considerariam a tese de Weber como implausível e inaceitável: ela teve o seu momento e já passou.
Eu não concordo. Nem sequer a nível empírico, onde os registos mostram que os mercadores e manufacturadores protestantes desempenharam um papel de líderes no comércio, na finança e indústria. Em centros de manufactura (fabriques) em França e na Alemanha ocidental, os protestantes tipicamente eram os empregadores e os católicos os empregados. Na Suiça os cantões protestantes eram os centros da exportação das indústrias manufactureiras (relógios, maquinaria, texteis); os cantões católicos eram primeiramente agrícolas. Em Inglaterra, que no final do século XVI era predominantemente protestante, os dissenters (leia-se Calvinistas) eram desproporcionalmente mais activos e importantes nas fábricas e fornalhas da nascente Revolução Industrial.
Nem (sequer) ao nível teórico. O centro da questão situa-se na verdade na criação de uma nova forma de homem - racional, ordenado, diligente, produtivo. Estas virtudes, mesmo não sendo novas, estavam longe de ser um lugar-comum...
...Duas características especiais dos protestantes reflectem esta ligação. A primeira era o ênfase na instrução e alfabetismo, para raparigas e rapazes. Isto foi um subproduto da leitura da Bíblia (ver também: história da Escócia). Era esperado de bons protestantes que lessem as sagradas escrituras por si mesmo. (Em contraste, os católicos faziam a catequese mas não tinham que ler e eram explicitamente desencorajados de ler a Bíblia. O resultado: maior alfabetismo e maior reservatório de candidatos para estudos avançados; também maior segurança de continuidade do alfabetismo de geração em geração. A alfabetização das mães é importante.
A segunda foi a importância conferida ao tempo. Aqui temos aquilo que o sociólogo chamaria de evidência moderada: o fabrico e a compra de relógios. Mesmo em áreas católicas como a França e a Baviera, a maioria dos fabricantes de relógios era protestante e o uso destes instrumentos de medida do tempo e sua difusão em áreas rurais era de longe mais avançada na Grã-Bretanha e Holanda do que em países católicos. Nada testemunha tanto como a sensibilidade ao tempo para a "urbanização" da sociedade rural, com tudo o que isso implica para a rápida difusão de valores e gostos.
(FONTE: Disponível em:
<
http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Landes>. Acesso em: 05 mar. 2006.).
E o que dizem os que são contra esta visão? Leia abaixo:
“’Tudo o que digo está baseado em fatos. Quem for contrário que me apresente fatos’, desafia o professor Landes. Então, vamos aos fatos. O professor diz que é difícil um país quente se desenvolver. Equívoco. Além de a humanidade ter começado na África, há alguns milhões de anos, a civilização começou em locais muito quentes, uns 6.000 mil anos atrás. Nessa época, o Egito, a Mesopotâmia, o Irã e redondezas já eram deserticamente quentes. A temperatura na Babilônia dos Jardins Suspensos ou no Egito da construção das pirâmides chegava a 50º centígrados. O berço da civilização e os primeiros milênios de seu desenvolvimento ocorreram debaixo do maior calor. [...]
A civilização demorou milênios para chegar aos lugares frios. Aqui mesmo, no Brasil, na região nordeste, onde segundo o professor Landes é mais difícil trabalhar, a civilização chegou primeiro.”

José Nivaldo Junior

(FONTE: COELHO, Marcos Amorim; TERRA, Lygia Soares. Geografia Geral: O espaço natural e socioeconômico. São Paulo: Moderna, 2001, p. 20).
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