13 de agosto de 2013

A paisagem e o que não se vê

Certamente, no conceito de paisagem, deveria entrar o "aquilo que não se vê", a "ausência".
Sim!!! Tal como no milenar jogo de estratégia "Go", onde os espaços vazios devem ser considerados com muita atenção e de modo especial, "aquilo que não se vê", a "ausência" e "o que está faltando" em uma paisagem tem um porquê.
É mais ou menos a mesma coisa que dizer que não é porque o olho humano não veja que algo não exista. Temos abundantes exemplos disso: a força da gravidade, o ar e os micróbios.
Deste modo, o que falta em uma paisagem foi arbitrariamente relegado, excluído, destruído ou eclipsado por outros tempos e reconstruções humanas: vestígios da cultura indígena, negra e de povos passados são alguns exemplos disto.
As culturas não cristalizadas no espaço para a posteridade, e que, por isso mesmo, estão a faltar em uma paisagem, aquilo que não é visto pelo olho humano, embora tenha esta característica, existe, ou melhor, existiu, e por isso mesmo, deve ser considerado.
Assim, no conceito de paisagem, pode e deve, muito oportunamente, entrar também aquilo que não está alí.